h y b r i s
Quarta-feira, Julho 02, 2008
 
Ok, vamos encarar: a vida é uma merda e eu nunca vou abandonar isso daqui.

Ainda não encontrei um padrão na minha linha de raciocínio; não sei se sempre começo a achar que sou uma parte estúpida do mundo quando vejo que os outros são estúpidos ou se acho que os outros são estúpidos quando vejo que eu sou estúpida.

Faz toda a diferença.

[9:28 PM] h y b r i s |



Domingo, Março 30, 2008
 
Dando um tempo de assuntos grudentos e loucuras existenciais.
Por uma vida (um pouco) mais prática.

[6:52 PM] h y b r i s |



Terça-feira, Março 18, 2008
 
Cafona

Nunca se falou tanto em amor
E nunca se o praticou tão pouco.
Talvez por isso, e somente por isso,
Não sejamos todos uns dramáticos.

[10:43 PM] h y b r i s |



Quarta-feira, Março 05, 2008
 
Sobre o querer

As pessoas costumam confundir vontade e desejo. Vontade é a manifestação da razão. Quando alguém planeja a vida porque quer ser bem-sucedido profissionalmente, por exemplo, é vontade que se tem. Guiado por esse querer racional, o indivíduo ordena suas ações com o fim de atingir o objetivo almejado. Já o desejo se situa no extremo oposto. Ao sentir desejo de comer chocolate não pensamos “preciso comer chocolate porque ele irá fornecer energia para que meu corpo continue a funcionar”. Não! A única lógica encontrada no desejo é a necessidade incontrolável de possuir algo, ou alguém. O estômago se apaixona pelo chocolate, assim como uma pessoa por outra.
Em algum momento amor e vontade, desejo e paixão se encontram. Longe da concepção platônica, o amor diz “eu te quero, mesmo com todos os seus defeitos”. A vontade mantém juntos os amantes. Amor, acima de tudo.
A paixão afirma ardilosamente “eu te quero, por todas as suas (infinitas) qualidades”. Mas a emoção não dá conta de tudo e a cegueira de raciocínio um dia passa. Então há duas saídas: contentar-se que o que você tinha era desejo e que este já foi saciado, o que implica o fim do relacionamento, ou levá-lo adiante, pois a vontade de continuar com a pessoa amada supera toda teimosia, ciúme, preguiça ou toalha molhada deixada em cima da cama.


[5:22 PM] h y b r i s |



Quinta-feira, Fevereiro 07, 2008
 
Um dia abro a porta pra você entrar e você entra, sem pedir licença ou limpar os sapatos no capacho. Senta, liga a TV e coloca os pés sobre a mesa de centro. Abre a janela para o ar circular, bagunça a minha cama e deixa sobre ela a toalha molhada e com o seu cheiro, que marca o território. Assim a minha casa vira a sua e você faz o que quer. Mas um dia me canso de pagar o aluguel sozinha e de limpar as migalhas que você espalha no chão ao comer. Então eu peço que vá embora e, sem discutir, você vai. Mas desta vez limpa os pés antes de colocá-los para fora, como se a sujeira estivesse estado o tempo todo do lado de dentro de casa. E sai, ignorando meu pedido de fechar a porta ao partir.

[5:54 PM] h y b r i s |



Segunda-feira, Fevereiro 04, 2008
 
Ctrl+C, Ctrl+V


Imagem pessoal
novembro 18, 2007, 9:03 pm

Diante do espelho, a altura da imagem não preenche todo o espaço. A largura não é larga, ocupa igualmente uma pequena área. Os pés não precisam ser grandes, suportam uma estrutura modesta. Acostumei-me em ser baixinha. Camilinha. Ser pequeno, não ser pequena.

O cabelo liso e preto, de corte anguloso, comprido na frente e curto atrás, tenta disfarçar as bochechas redondas, que contrastam com os olhos apertados e puxados. Os cílios, eles não querem aparecer, só é possível vê-los chegando bem perto. Chato é o nariz, que não é arrebitado nem gracioso e ora intruso em assuntos alheios. A boca tem quase a mesma largura dele. Juntos, os lábios cheios articulam as palavras mais duras, e também as mais doces. Os braços são pretensiosos: não têm muito comprimento e, vez ou outra, desejam abraçar o planeta para impedir que ele continue a girar e modificar certos fatos. Porém, o que não se vê no reflexo do espelho se revela mais sensato: a mente nega o movimento tolo.

O conjunto do corpo, ocasionalmente, perde o esquadro. Desalinha, anda torto, fica desengonçado. Parece apagar, sem motivo, no meio da rua, a memória gravada do que é ser uma moça. Então me vejo fora dele, achando que não sou eu, mas uma estranha que não aprendeu a caminhar.
o Comentários


Angústia <

Outubro 18, 2007, 6:51 pm

Nos pulmões, o ar parou. As narinas não respiram mais, a cabeça dói. O coração é um feto adormecido. Os olhos cavocam a visão que está na frente deles, mas eles não sabem o que é, não se importam.

Cegueira de raciocínio.

O pensamento não cabe nem no peito nem no crânio. Deixou de pensar. Virou sentimento.
1 Comentário


Se eu não me engano
setembro 19, 2007, 6:19 pm

Fácil dizer que o limpo é cheiroso, o perfeito indefectível.

A sinceridade está por detrás do óbvio, e é também atrás dele que nos escondemos para manter a ordem aparente.

Ou minto?

[8:27 PM] h y b r i s |



Sexta-feira, Agosto 10, 2007
 
Para agosto

Como presente de aniversário quero um grito encaixotado. Vindo dentro de uma embalagem cúbica, sem estampas. Lacrando-a, haverá apenas um laço delicado, fácil de ser desfeito.
No momento mais próximo de agonia extrema, o libertarei. E ele irá se propagar em todas as direções, soando tão alto e rasgado que arranhará meus tímpanos até que eles sangrem o vermelho mais escuro e triste já visto, conduzindo-me à surdez. Então, as mentiras contadas e as promessas feitas não mais poderão ser frustradas.

[7:30 PM] h y b r i s |



Domingo, Julho 22, 2007
 
O pó não deixa respirar

Livrei-me do passado.
Enchi uma sacola de supermercado com papéis picados. Cartas, cartões... Faltaram as fotos, que estão separadas para serem devidamente selecionadas e organizadas em um álbum num outro dia.
Não li a maior parte dessas coisas que foram pro lixo. Se finalmente parei para jogar as lembranças fora, é porque não as quero mais. Preciso de outras novas para reposição.

[6:43 PM] h y b r i s |



Quarta-feira, Julho 18, 2007
 
Lembrar que as pessoas são potencialmente desinteressantes, mas que algumas podem ser o contrário.





[12:12 AM] h y b r i s |



Segunda-feira, Julho 02, 2007
 
a loucura, novamente

seria louca se não fosse sã
mas eu vivo mesmo enlouquecendo
vejo todos os dias
a normalidade fugindo e se contorcendo

se eu fosse sã não seria tão louca
de encarar as coisas como elas são
se dou crédito à mentira
e desacredito da verdade
é porque há alguma razão

se me pergunta, respondo
mais louco é quem me diz
que loucura não é solução



[4:41 PM] h y b r i s |



Terça-feira, Junho 26, 2007
 
Burra!

Resolvi editar umas velharias do blog e acabei apagando alguns posts.






Sobreviverei.

[9:01 PM] h y b r i s |



Segunda-feira, Junho 18, 2007
 
sou louca
desconheço o tempo
ignoro as formas de amar
não sei corresponder a um sorriso
moldo os corações em formato de pedras
nas árvores, desenho círculos
que representam meu redondo engano
a esperança.

a vida é descobrir quem vai machucar o outro primeiro.

mas se não há tempo não há ordem.
não importa.

[7:58 PM] h y b r i s |



Segunda-feira, Junho 04, 2007
 
Não sei desenhar,
não sei me sentar à mesa de jantar,
não sei pensar sem abrir a geladeira,
não sei acender fósforo logo de primeira,
não sei não passar calor no verão,
não sei entender como sempre acabo na mão,
não sei não reclamar do frio no inverno,
não sei não dizer que isso é um inferno,
não sei qual é a moeda corrente na Islândia,
não sei como é a Disneilândia,
não sei tomar sopa sem queijo ralado,
não sei dormir sem virar de lado,
não sei andar descalça sem meia,
não sei não apreciar a lua cheia,
não sei ler jornal todos os dias,
não sei o nome das minhas tias,
não sei contar piada,
não sei não ter língua afiada,
não sei o que mais posso fazer,
não sei aquilo que não se pode dizer,
não sei como abraçar o mundo,
não sei quando é o fim de tudo,
não sei se é tudo verdade,
mas sei que é pelo menos metade.


[9:48 PM] h y b r i s |



Sábado, Abril 07, 2007
 
Me conte uma novidade. Diga que algo mudou...

[1:33 PM] h y b r i s |



Domingo, Março 25, 2007
 
"Eu não vejo o copo metade vazio, vejo-o metade cheio, de veneno."
Splendini, personagem interpretado por Woody Allen em seu mais novo filme, Scoop - O grande furo

[6:22 PM] h y b r i s |



Quinta-feira, Março 01, 2007
 
Preciso acreditar na relatividade do bom e do ruim para não enlouquecer. Assim, poderei dizer que as coisas estão sempre melhores.

[9:04 PM] h y b r i s |



Sábado, Fevereiro 03, 2007
 
O ódio, sim, é sincero

Não consigo compreender pessoas que engatam um relacionamento atrás do outro dizendo que amam cada um dos parceiros. Me parece amor demais pra ser verdade, ou mentira em excesso. Quer dizer, o que é mesmo amar?
Talvez elas realmente queiram acreditar que uma mentira, se repetida inúmeras vezes, acaba virando verdade.


[11:36 PM] h y b r i s |



Terça-feira, Janeiro 30, 2007
 
Insignificância

Já que submetidas à dor da banalização, as palavras contorciam-se e tornavam-se amorfas, borrões sem pigmento a serem diluídos no vento. Da contração do diafragma para a vibração das cordas vocais e à amplificação e projeção do som, do crânio para fora, era tudo vão. Barulhos dispersos aleatoriamente no ar e esvaziados de significado. Então não era mais possível relacionar o sentimento à palavra, pois esta havia se perdido, conduzindo conseqüentemente o primeiro à extinção. E, entre tantos outros, o amor transfigurou-se em ruído mudo.

[5:40 PM] h y b r i s |



Sábado, Janeiro 20, 2007
 
Sou a favor da mentira bem contada. Odeio péssimos mentirosos.

[11:55 AM] h y b r i s |



Quarta-feira, Dezembro 27, 2006
 
Acaba, ano, e não olha pra trás. Porque o que se foi é melhor ficar enterrado, e o que está por vir não deve ser fácil.
Há algo péssimo nessas palavras, mas o que é bom eu guardo. O que é ruim, deixo acumular-se no pretérito. Mas, não há descontinuidade de ações (não se pode ser sem ter sido algo anteriormente), e como disse Brás Cubas em Memórias Póstumas, não exatamente com estas palavras, o homem é uma série de edições revistas.

[6:00 PM] h y b r i s |



Quinta-feira, Dezembro 21, 2006
 
Calor estúpido.

[10:00 PM] h y b r i s |



Quarta-feira, Novembro 22, 2006
 
how many times will I go back to the same theme
and make it my only one concern?


[11:53 AM] h y b r i s |



Sábado, Outubro 21, 2006
 
I've got a bunch of cool words to rhyme
But yet I ain't found a pair that sounded good


[6:25 PM] h y b r i s |



Domingo, Outubro 01, 2006
 
Sobre um dia importante, comentários fúteis

Dia de votar. Na entrada do meu colégio eleitoral o que mais vi foram panfletos do PV espalhados pelo chão, pisoteados por incontáveis solas úmidas de chuva, criando uma imundície verde. Chegando à sala da sessão a que tinha que me dirigir, qual não foi a minha surpresa ao encontrar uma conhecida de umas escolas em que estudei? Um "nossa" foi tudo o que escapou da minha boca. Incrível como em dia de votação sempre acabo trombando com alguém dos velhos tempos -- não tão velhos assim. Das duas últimas vezes encontrei um cara que também era do mesmo colégio que eu, e por isto até tinha uma certa expectativa de esbarrar novamente com ele hoje. Nem sinal, uma pena. Ele é bem bonitinho.

[11:54 AM] h y b r i s |



Domingo, Setembro 03, 2006
 
Medo

O medo é o sentido da vida. São pequenos medos que a constituem: medo do escuro quando crianças, medo de ser assaltado, medo de não ser aceito na sociedade, medo de perder o emprego, medo da dor, medo de perder um grande amor, medo de morrer, medo de viver - pois viver, como já dito, inclui muitos medos. Somente vive quem sente medo.
É o medo que torna a coragem valorosa. E o medo é também o instinto de sobrevivência - sabe disto quem foge de grandes altitudes, sentindo, de antemão, a vertigem chamando para o chão.
A palavra "medo", por si só, quando ouvida, coloca o ouvinte em estado de alerta. A idéia implícita de medo constitui uma ameaça.
Medo evoca tenebrosidade, e bloqueia. Não é exigente, não demanda um motivo imediato para existir. "Não faço tal coisa porque tenho medo." Medo de quê? "Medo, não sei..."
Medo é ferramenta de coerção. Ditadores (de esquerda ou de direita), terroristas, extremistas... - exímios usuários do medo como forma de fazerem valer sua palavra.
O medo de ter medo é tão grande que vivemos brincando com ele. Assistimos a filmes de terror, fazemos piadas sobre impotência sexual, como se os medos fossem inofensivos.
Mas quem diz que medo é unicamente sinônimo de barreira está errado. Ele é, com certeza, algo menos limitado. Há pessoa neste mundo que nunca encarou algo inédito para superar seu medo? Medo é muro e ponte.
Medo são os riscos que se correm. Não faz parte, é.


[1:48 PM] h y b r i s |

 
Sob incoerência

Odeio a discrepância de atitudes. Fazer algo contraditório à atitude anterior além de não ter sentido imediato é enlouquecedor para com quem se convive. E se me disser que é nas entrelinhas que está a graça de um relacionamento vou ignorar sublimemente.

[3:45 AM] h y b r i s |



Quarta-feira, Agosto 23, 2006
 
entreter v.t. 1. Encontrar-se em condição intermediária entre o ter e o não ter. 2. Atividade realizada pelo indivíduo com a intenção de preencher o vazio da alma.

[10:50 PM] h y b r i s |

 
Sozinha

Os esforços para ter são inúteis.
No fim, o que resta não é capaz de fazer sombra: os pensamentos.

[10:40 PM] h y b r i s |



Domingo, Agosto 13, 2006
 
Futilidade me aborrece.

[1:59 PM] h y b r i s |



Terça-feira, Julho 25, 2006
 
Um dos meus maiores defeitos é a busca incessante por mudanças. Mudar a situação, mudar as pessoas, mudar a mim mesma, principalmente, para então partir para o resto.
Desta vez o mundo me aborrece antes. O mundo não, estaria sendo injusta e até mentirosa se naõ me retificasse, porque há muito o que conhecer algo além deste país - e eu pretendo fazer isto algum dia, uma breve fuga, ou uma fuga por tempo indeterminado. Mas agora sinto que o problema não sou eu, mas o que fazer para renovar meu ânimo.

[1:45 AM] h y b r i s |



Terça-feira, Julho 04, 2006
 

Não preciso mais de um nome para definir um relacionamento, não preciso mais ter certeza, porque já a tenho. Eis que o jogo se inverte, abdico as exigências. Quero ser livre para gostar, e acima de tudo, gostar de mim.

[12:43 AM] h y b r i s |



Domingo, Maio 21, 2006
 
Meu bem,

Antes que eu me esqueça, nosso amor já não me serve mais.
Seu coração, leve embora dentro de uma caixinha de madeira;
os beijos, dê para outra, enfeitados com lacinhos de cetim.
Queime as fotos, mas não esqueça de rasgá-las antes e,
por favor, se chorar, o faça longe de mim.

Aviso desde já que arranjei um novo companheiro.
Não o amo, é verdade, mas ao menos lhe sinto
o toque e o hálito morno das palavras ao me beijar.

Certas coisas, eu sei, são demasiado sinceras para serem ditas assim.
Mas se pudesse olhar em meus olhos quando procuro os seus,
compreenderia a verdade muda, que deles escorre sem hesitação.
Eu não tenho escrúpulos, tenho um amor insaciado.


[7:10 PM] h y b r i s |



Domingo, Maio 14, 2006
 
Milágrimas
(Itamar Assumpção e Alice Ruiz)


Em caso de dor ponha gelo
Mude o corte de cabelo
Mude como modelo
Vá ao cinema dê um sorriso
Ainda que amarelo, esqueça seu cotovelo
Se amargo foi já ter sido
Troque já esse vestido
Troque o padrão do tecido
Saia do sério deixe os critérios
Siga todos os sentidos
Faça fazer sentido
A cada mil lágrimas sai um milagre

Caso de tristeza vire a mesa
Coma só a sobremesa coma somente a cereja
Jogue para cima faça cena
Cante as rimas de um poema
Sofra penas viva apenas
Sendo só fissura ou loucura
Quem sabe casando cura
Ninguém sabe o que procura
Faça uma novena reze um terço
Caia fora do contexto invente seu endereço
A cada mil lágrimas sai um milagre

Mas se apesar de banal
Chorar for inevitável
Sinta o gosto do sal do sal do sal
Sinta o gosto do sal
Gota a gota, uma a uma
Duas três dez cem mil lágrimas sinta o milagre
A cada mil lágrimas sai um milagre



[2:29 AM] h y b r i s |



archives:


Sem reflexões de ordem político-econômica. Sem relatos do dia-a-dia. E, por incrível que pareça, sem cortar os pulsos.

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